sexta-feira, outubro 27, 2006

Discussão ...

Depois de semanas a fio sem tempo para escrever no meu blog (ou mesmo ler os dos outros), consegui uma manhã (mais ou menos) tranquila para por em dia essa parte da vida.

Lendo o blog do Fabinho, encontrei duas mensagens falando sobre como é desgastante conviver com pessoas para quem toda conversa descamba em uma competição de conhecimentos gerais.

Como para mim discutir e debater assuntos aleatórios é quase um hobby (alguns classificariam como distúrbio obsessivo, né Valério?), a carapuça acabou servindo um pouco. Quando a discussão é com outros chatos como eu (nos quais incluo o próprio Fabinho), entendo bem como a coisa pode ficar um pouco exagerada.

Inclusive, enquanto escrevo isso, lembro das caminhadas que costumava dar no horário de almoço lá na época da Promon (e lá se vão quase 10 anos). Eu tinha debates intermináveis com o Wander e o Heleno por qualquer assunto (qualquer mesmo, de formatação de código-fonte até pena de morte e reencarnação, passando por culinária e histórias em quadrinhos) e em várias ocasiões alguns de nossos colegas perdiam a paciência com a gente (a Luciana em particular chegava até a brigar comigo).

Naquela época caiu um pouco a ficha sobre como nem todos gostam de ficar discutindo interminavelmente um assunto só por esporte. Desde então tento me policiar um pouco nesse sentido.

No fundo, a solução que eu encontrei para mim (como sempre) é o caminho do meio. O primeiro passo foi admitir (de verdade) que existe gente que gosta desse tipo de discussão "saudável" e tem gente que não gosta. E pior: tem gente que gosta, mas só às vezes.

Um exemplo bom são as discussões que tenho de vez em quando com o Valério. Volta e meia o Valério vem com um "Putz, você vai querer mesmo levar essa discussão até o fim?" ou, mais frequentemente, "Você não vai desistir até ter a última palavra?". Normalmente isso é suficiente para cortar o exagero. Mas acho que só é possível graças ao grau de amizade e conhecimento mútuo existentes.

Entre amigos (de verdade) fica então mais fácil, pois temos licença mútua para cortar um ao outro e colocar-nos devidamente de volta aos trilhos. O problema maior é quando a discussão ocorre em um foro menos íntimo. Aí não tem jeito a não ser se auto-policiar para não forçar uma discussão descabida (ou para não ser forçado a entrar em uma). Às vezes basta apenas o primeiro gole para a coisa ficar feia ...

Outro dia, por exemplo, fiquei quase três horas no ônibus preso em um engarrafamento sentado ao lado de um cara do Opus Dei. Começamos uma conversa inocente sobre política que descambou para religião e foi esquentando. Quando percebi, estavamos discutindo de forma vêemente transgenia, células tronco, o Holocausto e se o ateísmo leva ou não necessariamente ao hedonismo entre outros assuntos simpáticos. Quando caí em mim do absurdo que estava fazendo (discutindo religião com um fundamentalista cristão) eu já estava para descer do ônibus. ;-)

Enfim, Fabinho, não esquenta. Entre amigos é só saber a hora de mandar o outro à merda.

Filmes, Videogames e afins

Num assunto mais ameno, assisti ontem Dark Water do Walter Salles com a Jennifer Connelly (refilmagem do filme do Hideo Nakata). Filme muito bacana, ainda que um pouco previsível. Não é um filme de terror propriamente dito, é mais um drama familiar com pitadas de sobrenatural aqui e ali. Não tem sangue, não tem corpos mutilados, não tem nem mesmo cenas muito assustadoras. Mas a angústia e a tensão vão crescendo à medida em que a história progride. E o final que é ... bom, vão lá assistir se ainda não viram.

Para quem gosta de videogames, tem essa lista dos piores jogos de todos os tempos que é bem divertida de se ler. Ainda no tópico videogames, estou cada vez mais curioso para ver o Nintendo Wii que vai ser lançado agora em Novembro. O projeto todo é bastante original e com ele a Nintendo se afastou da competição de cuspe à distância entre Microsoft e Sony. É uma abordagem arriscada mas que, pelo menos no meu caso, pode funcionar. Afinal, acho que videogame tem mesmo que ser sobre diversão e não sobre contagem de polígonos. :-)

E pra terminar, vou aproveitar esta mensagem para colocar um link para uma reportagem da Wired onde eles compilam uma coleção de contos extremamente curtos escritos por autores de ficção científica e fantasia. A idéia é contar (embora talvez a melhor descrição seja sugerir) uma história completa usando apenas 6 palavras. Tem algumas entradas muito boas, mas a minha favorita ainda é a do Hemingway que inspirou a matéria:

"For sale: baby shoes, never worn."

Não é bacana como nossa imaginação preenche o que não está escrito? Até a próxima.

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